Eu recosto-me na minha cadeira e ponho um cigarro nos lábios para calar o meu monólogo. Resolvo pensar em forma de palavra escritas e chego-me ao teclado.
Sexta-feira, 14 de Abril de 2006
Escrever
Dizem que escrever é um sentimento sem nome, uma tentativa de tentar morrer um pouco mais, uma esbatida pintura que perdura nos nossos braços como marca do que está dentro. No início e no fim da transmissão podemos acreditar em tudo isso e em metáforas rebuscadas em ódio e amor, para mim, nada disso faz sentido. As palavras são apenas isso mesmo, palavras, o sentido delas ultrapassa o nosso entendimento e a sua vocação como conjunto é apenas emprestada ao escritor de forma a ser transmitida ao maior número de leitores. O escritor como intermediário desse mundo já decidido está apenas designado como escravo ao qual apenas restam as escolhas más e boas que faz. Os seus escritos ou interferências que se tornam em texto estéril, apenas revelam o seu ponto de vista, esse não tem interesse, apenas a sua transmissão tem. Por tudo isso os lenhadores das palavras, derrubam conceitos que podem ter imagens definidas e isso requer apenas desconhecer o sentido do sentido em si.


publicado por Blogarto às 22:56
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Quarta-feira, 12 de Abril de 2006
Ácido Dócil

O paraíso não pode descer aqui, não posso negar o sim, ácido de feições dóceis seduz as suaves linhas do teu rosto. Mudem o rumo deste vento e talvez o chão possa viajar em nós, universalizar-se em nossos pensamentos.



publicado por Blogarto às 17:35
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Sábado, 4 de Março de 2006
Estrada

Estrada.JPG

Photo by blogarto

Deve existir uma estrada que percorra a tua noite. Sinalizada por luzes na escuridão, para lá do voo do albatroz, encontra como fim o palácio da magia. Silêncio esbatido na chegada iminente deixa o suave motor de plumas estagnado. Devo anunciar a minha presença, como sabes já parti a alguns anos, mas só hoje posso estar junto de ti...



publicado por Blogarto às 22:36
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Sábado, 25 de Fevereiro de 2006
Noite

noite.jpg

Noite, suave sangue de azul escuro que me cobre os sentidos

Em ti vejo os mais latos deuses e os pais da tragédia humana

Noite de calmos encantos avança nos meus olhos de bruma

Cobre a minha insónia e com os teus lábios devora-me o beijo

 

Noite assassina da minha sanidade, jasmim de cheiro perfumado, gema de rubi

Embala-me na tua alquimia e agregar-me a ti, aqui me tens no teu colo de fêmea

Noite cúmplice e companheira, morre a tua face em detalhes de esmeralda e lua

Clama no silêncio ao teu filho de glória liberta-me os poderes do meu orgulho frio

 

Noite mãe da candidez e pecado, hora final do nosso mistério arrebatado ao céu

Meia deusa, meia minha, voz quente e fatal, ninfa que embala a lassidão do sol

Noite ouve a minha prece, leva-me no teu canto de rapina á tua doce consciência

Celebra o meu corpo na tua alma e abraça-me no teu conhecimento alvo e místico

 

Noite, suave sangue de azul escuro que me cobre os sentidos

Em ti vejo os mais latos deuses e os pais da tragédia humana

Noite de calmos encantos avança nos meus olhos de bruma

Cobre a minha insónia e com os teus lábios devora-me o beijo

 

Noite último reduto do meu ser, corvo negro de bico de cristal, cabelos em dança

Vem, quero ver a tua sombra no meu jardim sentir teu sopro de fauna em meu leito

Noite amante e esconderijo onde me entrego, metamorfose da tua face em azul escuro

Amor tu que trazes a noite a meus olhos, a ti que amo e me cedo... baptizo-te de: Noite



publicado por Blogarto às 00:19
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Sexta-feira, 24 de Fevereiro de 2006
O Tornado

tornado1.jpg

O tornado chega sem anunciar, vento duro rosna pela cidade. O lixo voa em direcção ao céu como preces imundas cheias de cores sombrias e angústia. A casa torna-se ruína, os telhados aleijados pelos objectos que embatem e fustigam tornam-se numa nuvem de vermelho esbatido. O meu quarto fica embriagado pelas projecções do exterior que irrompem pelo tecto. Procuramos abrigo entre destroços que rodopiam sem sentido, senil de conteúdo o descampado de metal retorcido acolhe os sobreviventes. Algo bate pela terra e o chão cai em silêncio pela devastação. Saqueada de folhas a grande arvore termina o seu bailado e a cidade sai dos esconderijos enfeitados pela desordem e caos.



publicado por Blogarto às 23:42
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Quarta-feira, 22 de Fevereiro de 2006
A Distante

Totem 1.jpg O som profundo e doce da tua distância ecoa nos meus sentidos, toca nas minhas acções mais fúteis com o sentimento de um mensageiro divino. Eu recosto-me na minha cadeira e ponho um cigarro nos lábios para calar o meu monólogo. Reajo á minha reflexão de forma  especulativa  e vejo o tempo liquefeito  numa chuva  imaginária que me leva também. Decido afogar-me em histórias que teço, delírios imaginados na inércia. Em frente ao totem que criei de ti: a minha oração levanta voo.



publicado por Blogarto às 23:42
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